
Cine Batalha
O Júri destaca a profunda reabilitação de um edifício de características modernistas, dos anos ‘40, de grande importância cultural para a cidade, centrada em devolver-lhe o seu estado original, dotando-o simultaneamente das características técnicas que um edifício contemporâneo requer, sem que isso afete a sua linguagem arquitetónica original.
Fachada cortina TENTAL, janelas de batente SOLEAL 65, portas SOLEAL 65
- ArquitetoAlexandre Alves, Miguel Ribeiro, Sergio Fernández (Atelier 15)
- Ano2024
- FotógrafoBrutos audiovisual
- Fabricante/InstaladorRibeiro & Rocha
- CidadePorto
- PaísPortugal
O Cinema Batalha, projetado pelo arquiteto Artur Andrade na década de 1940, afirmou-se como um símbolo de resistência às imposições formais e ideológicas do regime da época. A intervenção teve como principal objetivo revalorizar o edifício no seu contexto urbano, consolidando-o como um marco da arquitetura moderna e reativando-o enquanto equipamento cultural relevante na cidade. Atendendo ao avançado estado de degradação, tornou-se necessária uma reabilitação profunda e criteriosa.
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Do ponto de vista estrutural, a intervenção foi contida e seletiva, privilegiando soluções compatíveis com a pré-existência. Destaca-se a adoção de uma solução mista aço-betão na nova cobertura, a introdução de estruturas metálicas de suporte aos tetos e aos sistemas de isolamento nos corredores, a reconstrução do pavimento da sala principal e a criação de uma estrutura mista aço-madeira para o novo auditório. Procedeu-se ainda ao reforço dos caixilhos das varandas através de uma viga-parede, que assume simultaneamente a função de elemento separador entre salas.
Foi preservada uma parte significativa da estrutura original, nomeadamente os pórticos em betão armado da segunda varanda, as lajes dos vestíbulos e acessos, bem como as paredes resistentes em alvenaria de pedra da sala principal, assegurando a continuidade material e construtiva do edifício.
Influenciado pelo expressionismo de Erich Mendelsohn e pelo funcionalismo de Le Corbusier, com mediação da arquitetura moderna brasileira, o projeto destaca-se pela sua coerência conceptual e pela forma como entende a arquitetura enquanto suporte de sociabilidade urbana
A integração de sistemas da TECHNAL permitiu compatibilizar a preservação da linguagem arquitetónica original com elevados níveis de desempenho ao nível do conforto térmico, acústico e da iluminação natural.
CRITÉRIOS SUSTENTÁVEIS
A intervenção assenta numa lógica de reutilização e valorização dos recursos existentes, contribuindo para a redução do consumo de matérias-primas e da produção de resíduos. Foi mantida a maioria da estrutura em betão armado e das paredes em alvenaria de pedra. As ações de reabilitação centraram-se na execução da nova cobertura em solução mista aço-betão, na incorporação de isolamento térmico e acústico nos espaços de circulação, na reconstrução de pavimentos, na reabilitação das caixilharias existentes e na ampliação e modernização das infraestruturas técnicas, garantindo a adaptação do edifício às exigências contemporâneas de desempenho e utilização.